Marcas invisíveis: ansiedade crônica pode ter raízes em traumas da infância; entenda o motivo
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Durante o mês do Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental, o psicanalista Fábio Araujo alerta para os impactos duradouros de abusos físicos e sexuais sofridos na infância. Especialista em psicotraumatologia, ele destaca que essas experiências não se restringem a lembranças do passado, mas se transformam em feridas internalizadas que mantêm o sistema nervoso em estado constante de alerta, afetando a vida adulta.
De acordo com o especialista, mesmo décadas após o fim das situações traumáticas, o corpo continua reagindo como se o perigo ainda estivesse presente. “O trauma não é apenas psicológico, ele é biológico. A amígdala cerebral permanece hiperativada, fazendo com que o adulto responda ao mundo como se estivesse sempre sob ameaça”, explica.
Araujo ressalta que comportamentos frequentemente interpretados como “personalidade difícil”, impulsividade ou dificuldade de concentração são, na realidade, estratégias de sobrevivência aprendidas ainda na infância. “Não se trata de fraqueza ou falta de esforço. É o cérebro repetindo mecanismos que foram necessários para sobreviver em ambientes inseguros”, afirma.
Outro aspecto destacado é o abandono emocional, caracterizado pela ausência de vínculo afetivo e validação emocional, mesmo quando as necessidades materiais da criança são atendidas. Segundo o psicanalista, esse tipo de trauma costuma ser negligenciado. “A criança cresce aparentemente ‘bem’, mas sem referência de segurança emocional. Na vida adulta, isso se manifesta como baixa autoestima, dependência emocional e repetição de relacionamentos disfuncionais”, pontua.
O enfrentamento desses quadros, segundo o especialista, exige abordagens terapêuticas informadas pelo trauma, capazes de restaurar a sensação de segurança do sistema nervoso. Ele também chama atenção para os danos provocados pelo estigma social em torno do sofrimento emocional. “Frases como ‘isso já passou’ ou ‘é preciso ser forte’ invalidam a dor. Reconhecer o trauma como uma ferida real é essencial para que o cuidado emocional deixe de ser tabu e passe a ser tratado como uma questão de saúde pública”, conclui.
Sobre Fábio Araujo
Fábio Araujo é psicanalista, com especialização em Psicotraumatologia e Neuropsicanálise, além de certificação internacional em Traumas Emocionais (RTI). Seu trabalho é voltado à neurofisiologia do trauma, integrando a prática clínica à neurociência. O profissional também possui formação em Intervenção ABA (TEA) e Sexualidade na Infância e Adolescência.
Mais informações e conteúdos podem ser acompanhados pelo Instagram: @psicanalistafabioaraujo.